Restauração no Palácio da Pena revela pinturas originais do século XIX
Os trabalhos de conservação e restauro no Palácio Nacional da Pena, em Sintra, trouxeram à luz uma descoberta inédita: a pintura decorativa original da Segunda Sala de Passagem, idealizada por D. Fernando II no século XIX e até agora oculta por intervenções posteriores.
- Texto: Redação
- Fotografia: Direitos Reservados
A sala apresenta-se em tons de azul, com emolduramentos ocres e elementos de inspiração oriental, possivelmente chinesa. Nas paredes, surgem florões decorativos e, no teto, uma treliça pintada em técnica semi-trompe l’oeil. O ambiente exótico ganha ainda mais expressão com o regresso do mobiliário e objetos selecionados pelo rei-artista para o espaço.
O processo de restauro, que durou cerca de um ano, envolveu sondagens parietais e técnicas manuais de elevada precisão, permitindo recuperar vestígios originais desconhecidos, incluindo o teto, do qual não existia qualquer registo fotográfico.
A intervenção foi conduzida por uma equipa multidisciplinar, com conservadores-restauradores, arquitetos e engenheiros.
Segundo os investigadores, a pintura terá sido executada na década de 1860 por pintores ligados à firma Barbosa e Costa, responsável por obras decorativas no palácio. O resultado devolve à sala o “caráter exótico” que D. Fernando II pretendia, em contraste com a Primeira Sala de Passagem, marcada por tons de ocre e pelo revivalismo neogótico.
Paralelamente, foi realizada uma investigação histórica que permitiu reconstituir os ambientes originais, com a reposição de peças de mobiliário, cerâmica, escultura e pintura que integravam as coleções reais. Entre os destaques estão obras de artistas como Francisco Pinto da Costa, Francisco de Resende, João Cristino da Silva e Gaspar Peeter II Verbruggen.
Esta intervenção insere-se na estratégia da Parques de Sintra de recuperar a autenticidade dos espaços do Palácio da Pena, melhorando a experiência de visita. Estão já previstos novos trabalhos de conservação nos restantes compartimentos do piso nobre, com vista à reconstituição histórica da vivência da Família Real Portuguesa no monumento.