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A elegância do Chiado não tem paralelo na capital portuguesa. Bairro de cafés e teatros, intelectuais e artistas, restaurantes e igrejas barrocas, preenche o imaginário de uma certa Lisboa cosmopolita e fina de oitocentos.
Ao entrar no Bairro Alto Hotel percebemos que só podia ter nascido nessa Lisboa herdeira de Eça e compreendemos porque marca a história da hotelaria portuguesa. Estamos no primeiro boutique hotel de cinco estrelas de Lisboa e sentimo-nos tão bem…
O Bairro Alto Hotel completa 20 anos, uma história que acompanha as duas décadas de grande transformação de Lisboa e do Chiado, da qual é protagonista e pioneiro.
Mas se acreditarmos que os edifícios têm alma, a deste hotel é uma alma antiga, muito mais antiga que a idade no cartão de cidadão. Neste mesmo local existiu o Hotel de L’Europe, mais tarde Hotel Europa, vocação que não perdeu e viu reencarnada neste nosso contemporâneo Bairro Alto Hotel (BAH).
Para melhor perceber o seu contexto urbano, e o fascínio das cidades é isso mesmo, a sua constante evolução, era aqui que, até ao terramoto de 1755, se erguia a Ermida do Alecrim (que deu nome à rua que desce até ao rio). Depois, a partir do projeto de reedificação do Marquês de Pombal e inserido na sua inteligente malha de quarteirões, é construído um edifício com dois andares, passando mais tarde por uma remodelação que lhe acrescenta um piso, mansarda e águas furtadas. A Praça Luís de Camões surge na década de 1860 (com a estátua do poeta inaugurada em 1867) – é agora que nos vem à memória o ambiente de Os Maias, das tertúlias da Geração de 70, do Grémio Literário, dos chás e jantares nos elegantes hotéis…
Em 1921 abre portas o esplêndido Hotel de L’Europe, propriedade de Alexandre d’Almeida, o mesmo do Palace do Bussaco. E, a partir de finais da década de 1930, o nome é alterado para Hotel Europa. Agora, é a vez de sentirmos Pessoa e Almada nestas ruas, numa Lisboa modernista e moderna, do Orfeu, do sempre recorrente Grémio Literário, das Belas Artes e dos teatros.
E por falar em teatros, conta-nos Nuno Teixeira, Quality Manager do BAH, que muitos hóspedes do Hotel Europa eram precisamente artistas que vinham para a temporada do São Carlos ou para uma peça no São Luiz (e deixa-nos a sonhar com a estética desses tempos).
O hotel fechou em 1980 e uns anos mais tarde uma parte do edifício passa a comércio e serviços. Quando, em 2000, é adquirido pela família Tavares da Silva, na altura com um sócio, estava devoluto. No fundo, aguardava quem para ele olhasse e percebesse para o que devia renascer.
E foi isso que aconteceu.
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