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É uma história de família, esta. A de muitas famílias, aliás. De gerações que foram passando pela porta 18B da Praça da Figueira, epicentro de Lisboa. A Confeitaria Nacional existe desde 1829 e prepara-se para comemorar dois séculos de existência. Mas todos os anos apruma-se para a(s) festa(s). Todos os anos celebra entre reis e rainhas, com arroz, coco e nata. Embebe a vida em calda de açúcar. São bolos, senhores, são bolos. (Mas não só).
Corria o ano de 1829 quando um distinto senhor lisboeta de seu nome Balthazar Roiz Castanheiro inaugurou uma confeitaria na Praça da Figueira, em Lisboa. A pena de morte ainda não tinha sido abolida em Portugal, ainda não existiam telefones nem iluminação a gás, os poucos que viajavam, fa-ziam-no de sege (carruagem com duas rodas e um assento) ou liteira (veículo sem rodas, suspenso por varais e carregado por homens ou animais). Era uma outra Lisboa esta que começava a deixar entrar ares doces de modernidade, vindos de Espanha e França.
Por trás daquela fachada neoclássica, revestida a azulejos, no número 18B da Praça da Figueira, por baixo de tetos de madeira trabalhados, entre varandins e escadarias românticas, no meio daquelas paredes pintadas, preparava-se para nascer algo muito novo. Cheirava a fresco. A calda de açúcar. A farinha. A ovos. A manteiga.
Balthazar trazia de Paris e Madrid os melhores confeiteiros para criar, na doçaria, nas compotas e nos licores de fruta, algo que não existia no Portugal de então. Em 1852 escreveu um livro de receitas que ainda existe – emoldurado, guardado como uma jóia, protegido para que não se despedace este bom bocado de história.
Balthazar era um visionário. Mas foi o seu filho, que o sucedeu em 1869, quem deixou um rasto de irreverência e inovação, ainda hoje reconhecidos pela linhagem. Rui e Rodrigo, quinta e sexta geração da família fundadora, reconhecem-lhe o vanguardismo.
Guerras e pá
O africano é o bolo preferido de Rodrigo que, aos 30 anos, ainda guarda boas memórias dos corredores da fábrica. Saía sempre de boca doce, mimado com bolos e bolinhos pelos pasteleiros. O africano é um desses bolos. Feito com coco ralado, numa base de pão de ló de chocolate, recheado e coberto com creme de manteiga.
“É parecido com o bolo de arroz na configuração, mas a massa é completamente diferente. Enquanto o bolo de arroz é seco, este é muito húmido.”, descreve Rui Viana, pai de Rodrigo, à frente dos destinos da Confeitaria há 22 anos.
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