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É um Alentejo de serra e mar, de lagoas e rios, onde o doce é sempre salgado e o salgado adocicado. Onde nada é muito plano, nem nunca muito inclinado. No litoral alentejano, entre Melides e Vila Nova de Milfontes, fora das enchentes do verão, fazemos um compasso de espera. Espera-se. Avista-se. Alcança-se. Para lá das miragens.
Em “Peregrinação”, Fernão Mendes Pinto conta o momento dramático em que foi largado na praia de Melides por corsários franceses. Eram dez da manhã quando lemos isto numa das placas informativas junto à lagoa, no meio do passadiço que liga à praia. Daqui vêem-se os arrozais e as dunas, o mar, o pinhal, a lagoa. O drama de 1523 parece-nos claramente fora do contexto atual. Hoje, não seria um mau sítio para se ser largado…
Estamos na maior praia de Portugal – e a terceira maior do mundo, dizem as parangonas a respeito desta mancha de areal contínuo, que liga Tróia a Sines.
Mas não é o tamanho que a torna especial. A crescente fama internacional tem trazido para a zona projetos imobiliários de grandes dimensões que estão a mudar a sua configuração – e forma de estar –, mas, fora das grandes enchentes de verão, ainda se sente o caráter único desta fatia do litoral alentejano pulsar. Nesta costa, urge fazer como na bebida. Explorem-na, descubram-na, sorvam-na, amem-na.
Mas sempre com moderação.
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