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Arouca. E o Paraíso aqui tão perto

Arouca

Andámos por terra batida pela serra da Freita pasmados com a beleza da urze e das vacas arouquesas. Atravessámos uma ponte suspensa com o coração a bater amansado pelo chilrear dos pássaros. Dormimos num antigo mosteiro e observámos as águas bravas do rio Paiva. Arouca é uma aula de História, de Natureza e de (farta) comida, para toda a família.

  • Texto: Florbela Alves
  • Fotografia: Maria João Gala
25 de Julho, 2025

“Quando chegarmos ao cimo da serra da Freita, vão perceber como Portugal é pequenino.”

“Quando chegarmos ao cimo da serra da Freita, vão perceber como Portugal é pequenino”, promete João Silva, um dos guias da empresa de desporto de aventura Just Come, assim que liga o motor do jeep todo-o-terreno que nos vai buscar a Arouca pela manhã. O destino era conhecer “a serra encantada” e depressa percebemos que o nome lhe assentava como uma luva. No auge da primavera, a Freita bem podia ter sido protagonista de um quadro de Van Gogh, tivesse o pintor holandês visitado este pedaço de Portugal pincelado com os amarelos da carqueja e os lilases da urze, ou observado as vacas de raça arouquesa a passear soltas à beira da estrada entre as aldeias dispersas.

A 60 quilómetros do Porto e a menos de uma hora de carro, o território certificado como destino turístico sustentável e de Natureza, une biodiversidade, património cultural, História e Ciência como poucos e, por isso, tem sido cada vez mais procurado por famílias e turistas nacionais ou estrangeiros (com Espanha, França, Alemanha e Brasil à cabeça). Não foi à toa que o nosso guia, biólogo de formação, 28 anos, nos confessa ter decidido largar a sala de um laboratório “em troca desta vida ao ar livre”.

Assim que chegámos ao miradouro do Detrelo da Malhada (a cerca de 1100 metros de altitude) comprovámos o que João nos havia dito.

Apesar das nuvens no céu, conseguíamos avistar as cidades do Porto, a ria de Aveiro, as serras de Montemuro, da Estrela e do Caramulo. E nem precisámos de binóculos. Percebemos, por fim, essa tal pequenez de que ele nos falava, num silêncio interrompido apenas pelo chilrear dos pássaros.

A região classificada como Geopark Mundial da Unesco desde 2009, estende-se por uma área de 328 km2 e tem sido cada vez mais procurada por adeptos de caminhadas ou de turismo da natureza (há 15 percursos pedestres assinalados para todas as idades).

Sobretudo na última década, desde que abriram os Passadiços do Paiva em junho de 2015 e, em 2021, com a segunda maior ponte suspensa do mundo que atravessaremos no dia seguinte: a 516 Arouca.

“Aqui temos tudo para ser felizes” ouviremos dizer Maria José, cozinheira com 72 anos, quando nos dá a provar “a verdadeira carne arouquesa DOP”, após termos caminhado quatro quilómetros a pé desde o Vau até ao Areinho. Mas já lá iremos.

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