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Galeria a céu aberto

Roteiro de arte urbana do Porto

  • Texto: Florbela Alves
  • Fotografia: Teresa Pacheco Miranda
20 de Março, 2026

Outrora censurada, a arte urbana ou street art tem-se transformado numa nova atração turística e cultural no Porto. A nova plataforma digital “Plan Your Journey” (Planeie a Sua Viagem, em português) propõe um roteiro que atravessa vários murais na cidade e pode ser percorrido individualmente ou em forma de visitas guiadas. Sempre de olhos bem abertos para a liberdade artística nas paredes.

Em 2008, quando Hazul começou a pintar as suas mulheres sem rosto com formas geométricas pela Baixa do Porto, décadas depois de se ter iniciado com o graffiti, a cidade vivia de costas voltadas para a arte urbana. “Tinha o meu atelier no centro e sempre gostei de pintar lá. Nessa época, a cidade estava estagnada e eu aproveitava as paredes e as portas de prédios devolutos ou abandonados para pintar. Mas como era o autor que tinha mais desenhos nessa zona, muitas das minhas obras eram apagadas pela Brigada Anti-Grafitos”, recorda o artista, 44 anos, que nunca deixou que lhe fotografassem o rosto. Desde então, muito mudou no Porto. E ainda bem.

Depois de anos proibida, censurada e apagada, a arte urbana (nascida a partir do graffiti numa forma de expressão livre) tem-se transformado num novo motor turístico e cultural, especialmente desde 2014 quando o Programa de Arte Urbana do Porto lançado pela autarquia deu o impulso à criação de murais legais pela cidade, apoiando artistas para a criação de obras.

Hoje, lado a lado com as visitas ao património, a museus, jardins ou a miradouros, ao artesanato ou à gastronomia tradicional, também os murais pintados em várias artérias da cidade, ganharam um roteiro que pode ser percorrido individualmente ou em visitas de grupo a partir da plataforma Plan Your Journey.

Lançado em 2025 pela Câmara Municipal do Porto de forma “a descentralizar fluxos turísticos”, disponível em português, inglês, francês e espanhol, o site divide a cidade em oito quarteirões: Baixa, Bonfim, Histórico, República, Campanhã, Boavista, Universitário e Atlântico, propondo a descoberta do Porto “muito para além do óbvio”.

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