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Tomando Madrid como ponto de partida, entrámos na Espanha profunda, não lutando contra moinhos de vento, como Dom Quixote, antes descobrindo lugares genuínos e pessoas de orgulho inabalável, que guardam um território de densidade histórica e riqueza natural invejáveis. Sigüenza é um pequeno tesouro, uma cápsula de tempo que tivemos o privilégio de conhecer com a melhor anfitriã, Blanca Moreno. O seu Molino de Alcuneza foi o nosso abrigo e a nossa mesa, e aí deixámos uma família.
Estamos na região de Castilla-La Mancha, na província de Guadalajara, numa paisagem dura. Na zona mais despovoada de Espanha, parte central desta nossa jangada de pedra, a uma altitude média de mil metros. O ar é puro, paisagem de planalto, com alguns vales e montanhas. Aqui e ali surgem castelos, pequenos aglomerados medievais e percebemos que estamos noutro tempo. No tempo em que os caminhos eram longos e a distância entre lugares se media pelos dias de viagem. Aos poucos, deixámos bem lá para trás Madrid, onde havíamos aterrado há cerca de hora e meia, e entrámos neste novo registo que nos convida a uma Route du Bonheur Relais & Châteaux (…só imaginarmos uma “rota da felicidade” já nos enche o espírito).
Para melhor compreender a região, fomos ao Mirador de Félix Rodriguez de la Fuente, ou Mirador de Pelegrina, no Parque Natural del Barranco del Rio Dulce, muito próximo de Sigüenza. Aqui, já estamos a 1.100 metros de altitude. Sobre nós, uma enorme ave de rapina, num voar majestoso. “São dois metros e meio da ponta de uma asa à outra”, diz-nos Blanca Moreno, enquanto prepara um piquenique. Proprietária e diretora do hotel Molino de Alcuneza, é uma incansável defensora da sua terra nas várias dimensões de paisagem natural, cultural e histórica, ao mesmo tempo que participa ativamente na criação de condições para fixar os produtores locais. “É um território rural, muito autêntico”.
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