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Paz, Ilhas Féroe

No seu novo restaurante, o chef Poul Andrias Ziska transforma o isolamento e a natureza bruta das Ilhas Féroe numa gastronomia que mescla inovação e tradição e que mereceu duas estrelas do Guia Michelin poucos meses após abrir.

  • Texto: Rafael Tonon
  • Fotografia: Direitos Reservados
26 de Dezembro, 2025

Paz, em feroés, não significa nada em particular — é apenas o acrónimo formado pelas iniciais do chef Poul Andrias Ziska, um jovem cozinheiro talentoso que inaugurou este restaurante em abril de 2025 para apresentar a culinária das suas Ilhas Féroe natais sob uma nova luz. Ainda assim, ao visitar a sua nova casa em Tórshavn e as paisagens de onde vêm os ingredientes que utiliza diariamente, torna-se difícil dissociar o nome do sentimento. Não deixa de fazer sentido que “paz”, com um significado tão próprio em português, evoque também a sensação de calma, harmonia e serenidade que envolve o visitante ao pousar no aeroporto de Vágar e ver, antes mesmo de o avião tocar o chão, o verde imaculado, as falésias de basalto e a natureza deslumbrante que o espera.

Aninhado no Atlântico Norte, entre a Islândia, a Escócia e a Noruega, o arquipélago das Ilhas Féroe — composto por 18 ilhas e uma nação autónoma dentro do Reino da Dinamarca — é habitado por cerca de 80 mil ovelhas, que superam em número os cerca de 55 mil habitantes.

Enquanto as estradas rasgam as rochas escuras escavadas pela erosão, as ovelhas pastam despreocupadas nos prados intensamente verdes, entre falésias e vales envoltos pela névoa que cobre as montanhas e as casas de telhados de relva, confundindo-se com os amplos fiordes.

É neste ambiente singular e sereno que Ziska decidiu abrir o seu novo restaurante. Depois de liderar durante anos o KOKS e de passar algum tempo na Gronelândia — para onde levou o projeto durante algumas temporadas —, regressa agora às Féroe para a sua empreitada mais ambiciosa. No centro de Tórshavn, no rés-do-chão de um hotel tradicional e discreto da capital, atrás de amplas janelas de vidro cobertas por cortinas de linho, apresenta uma cozinha que é ao mesmo tempo simples e teatral. Os seus pratos minimalistas refletem a estética nórdica contemporânea: ingredientes apresentados quase na sua forma natural, muitas flores e folhas nativas, conchas e mariscos recém-saídos das águas gélidas.

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