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Restaurante Veneza – o prazer da mesa serrana algarvia

É uma espécie de templo gastronómico no Algarve. Aqui sentimo-nos a descobrir a cozinha tradicional do Barrocal, sub-região entre a serra e o mar, feita com tempo e saber, tal qual a faziam os ascendentes serranos.

  • Texto: Fátima Iken
  • Fotografia: Rita Chantre
24 de Março, 2025

Basta nomear alguns dos pratos para encetarmos um processo de salivamento, sabendo que os vamos saborear com prazer, pois são feitos com todos os matadores. A sopa de feijão montanheira sabe mesmo a feijão, o cozido com grão é excelso, o coelho estufado ou o cabrito com xerém, a cabidela de galo, transportam-nos para uma casa de família. E é isso mesmo do que se trata, porque no restaurante Veneza o clã familiar conhece os cantos à casa há mais de 50 anos.

Respeitar a cozinha identitária não é tarefa fácil, mas, com os produtos cultivados localmente e os animais a comer a flora da serra, tudo se torna sápido.

Depois, o saber-fazer transmitido de geração em geração, adiciona o passo seguinte para uma festa dos sentidos, adestrado pela notável garrafeira, com mais de mil referências.

Paderne fica a cerca de 12 quilómetros de Albufeira e garante todo o contrário da oligofrenia turística. Aqui o registo é o da tranquilidade dos ares da serra.
O dono, o senhor Manuel Janeiro, de 67 anos, é neto do inicial proprietário detentor de uma casa de petiscos/mercearia que começou a funcionar em 1947 e mais tarde, de bailes e concertos, em 1959, já com o pai.

Transformou em boa hora o lugar em restaurante e hoje é já o seu filho o senhor que se segue na garantia da prossecução deste património culinário.
Mas a alma da cozinha é ainda Zelita, a sua mulher que continua a supervisão com arte nos comandos dos fogões, bem como na pintura, seu hobby.

E só mesmo quem conhece os meandros da arte sabe que à mesa também se calcula saber e sabor com mestria e sensibilidade.

Das queixadas de porco ao cozido algarvio (com batata doce, couves e carne de porco), da sopa de feijão com chouriço preto à entremeada e feijão catarino (vale toda uma refeição, per si) até à língua de vaca com puré, ou as papas de milho, a cataplana de porco com amêijoas, chanfana de borrego, perdiz frita e o frango de fricassé, é todo um património que se pode provar com motivo de celebração.

“Tem de se manter a tradição, a gastronomia regional que não se pode deixar perder e para isso aqui estamos”, realça, em simultâneo, Zelita, que chega mesmo a pintar o receituário em pequenos azulejos, onde constam os ingredientes, sem segredos.

A gastronomia é acompanhada por vinhos de excelência, sendo que são 3.500 as referências presentes, numa riquíssima paleta que complementa em harmonia os pratos ricos.

Rodeiam-nos em prateleiras que se estendem entre as mesas, inspirando-nos e permitindo uma escolha direta e criando em simultâneo um ambiente acolhedor.

Por tudo isto, é sempre necessário fazer reserva, de forma a conseguir um lugar no paraíso.

Restaurante Veneza

Restaurante Veneza

Mem Moniz / Paderne, Albufeira

T. 289 367 129
Horário:
segunda a sábado -19:00-22:00
sexta-feira: 12:00-15:30
domingo – 12:30-14:30
Encerra à terça-feira
blue Link: Restaurante Veneza

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