Quer ler mais?
Subscreva agora para ter acesso ao artigo completo.
O fumo é uma espécie de madeleine proustiana. Evoca a essência da ancestralidade, élan vital que mexe com as nossas entranhas. Do estrelejar da lareira crepitante ao fumeiro, passando pelos aromas associados à cozinha em chão de lume, é tão só o princípio de tudo. No Alto Tâmega, uma rede de tabernas leva-nos numa viagem emocionante que se saboreia lentamente em cada descoberta. Seguimos uma rota em busca do essencial. E encontrámos.
O fogo, sinónimo de lar, leva-nos num doce trilho ao coração de nós mesmos. Lar, aliás, significa, na origem, isso mesmo. Um lugar sagrado da casa dedicado às divindades protetoras aliado ao fogo, local onde também se cozinhava e fazia o pão. Vemos assim que casa, lareira e alimento se celebram de igual modo. E em partilha. Está tudo explicado para gostarmos tanto de sítios onde se junta esta constelação. As tabernas são, por isso, os nossos segundos lares. No Alto Tâmega ainda sabem melhor.
Este cenário entre montanhas, perfis serrilhados, planaltos e vales macios verdejantes, onde corre água abundante, entre as serras da Padrela, Gerês, Barroso, Larouco, Cabreira, Falperra e Alvão, torna-se o local perfeito para uma degustação de sabores ancestrais.
Foi uma viagem que nos marcou, tal como o nosso cicerone, o chef Vítor Adão, que aqui nasceu perto, em Carvelas. Não poderia haver melhor companhia, aliás.
A natureza frondosa e a singularidade da paisagem humana e serrana juntam-se num reduto adormecido no aconchego de uma comunidade ímpar.
E é isso mesmo que se pode experienciar ao aventurar-se pela Rede de Tabernas do Alto Tâmega onde a paisagem natural e humana deixam marcas para sempre. São 14 e visam preservar os hábitos alimentares e culturais transmontanos. Aliás, muitas destas tabernas funcionam mesmo em casa dos proprietários, uma mais-valia, já que nos permite entrar nas memórias destes redutos familiares.
Subscreva agora para ter acesso ao artigo completo.