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Há alguns hotéis que atravessam a história. Outros, onde a história acontece. E há o Copacabana Palace, que a molda. Aos 102 anos, o edifício branco de curvas art deco à beira da praia continua a irradiar um glamour que o Rio reconhece como parte de si. E não é apenas por conta da arquitetura marcante ou pela sucessão de estrelas que entraram discreta ou espalhafatosamente pelas suas portas, mas porque, de alguma forma, o Copa se tornou uma espécie de espelho do Brasil que sonha grande.
Quando o presidente Epitácio Pessoa desafiou Otávio Guinle a erguer, em 1919, um hotel à altura dos palácios da Riviera Francesa, a cidade vivia de costas para o mar. Copacabana era quase nada. O Copa foi mais do que um edifício: foi uma aposta, uma visão, um sonho.
O hotel abriu em 1923, e logo o próprio Guinle avisou que não era um projeto efémero: era o futuro. E assim foi. Um século depois, o Copa permanece ali — impecável, impassível, amado, desejado, reconhecido — segurando firme a aura de Grande Dame que poucos lugares no mundo conseguem preservar.
Ulisses Marreiros, diretor-geral, gosta de definir o segredo numa frase simples: “honrar o passado e inspirar o futuro”. É disso que se trata. O Copa nunca se permitiu dormir no conforto da própria lenda.
Ao longo de um século, reinventou-se muitas vezes: atravessou a proibição dos casinos, o fim do estatuto de capital federal do Rio, testemunhou crises políticas, económicas e culturais. Caiu (mas não muito), subiu, retomou o brilho. E hoje, depois de grandes reformas, prémios recentes e uma fama internacional renovada, ostenta um feito raríssimo: este centenário senhor está em melhor forma agora do que estava há décadas.
Essa reinvenção não se dá apenas no mármore do lobby ou no frescor das suites. Está na maneira como o hotel lê o mundo. O Copa soube transformar a base brasileira — que o sustentou inclusive durante a pandemia — numa combinação equilibrada com uma clientela internacional que hoje representa mais de 60% dos hóspedes. Soube entender o voo que chega e o que ainda virá: o Rio a regressar ao radar global, novas rotas internacionais e um potencial turístico que finalmente parece querer cumprir-se.
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