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Dormir num palácio imerso numa floresta encantada? Sim, soa a conto de embalar mas é uma realidade aqui bem perto. Na mata do Bussaco, o Palace Hotel abre-nos as portas a um mundo onírico, como se folheássemos páginas da melhor literatura oitocentista e, de repente, nos tornássemos personagem de um livro antigo. Estamos mesmo acordados ou numa cápsula de sonho?
Sobe-se a íngreme rua de empedrado sob uma vereda disseminada por abetos gigantes, araucárias, ciprestes do Líbano, sequóias e sobreiros vetustos, mergulhando num imenso emaranhado de verde atordoante. O automóvel vai ondulando pelo declive e sente-se que entramos numa dimensão espiritual. Não é por acaso que os monges carmelitas por aqui andaram no século XVII com o desejo de criarem uma absoluta reclusão do mundo, pelo que muraram a mata, erigindo um frondoso bosque, à imagem de um “paraíso terrestre”.
Já sabemos ao que vamos porque são incontáveis as vezes que aqui dormimos. O lugar sempre nos atraiu, não só pela nostalgia de um tempo outro, que se vivencia intensamente, como pela beleza e aura misteriosa que envolvem o palácio e a mata nacional do Bussaco. É, aliás, uma espécie de Sintra do Norte, se quiserem.
São 105 hectares de magia pura. Como se entrássemos nas páginas de um livro fantasioso, penetramos num bosque que conta com mais de 250 espécies de árvores, algumas com 400 anos de idade.
Aqui, não estamos só numa das mais impactantes florestas de que há memória em Portugal, motivo mais que suficiente para uma incursão (fica a duas horas de Lisboa e a uma do Porto), como descobrimos ser fácil parar os ponteiros do relógio, se assim pudermos dar-nos a esse luxo.
As glicínias gritam o seu violeta estridente em pleno estio, mas agora há um aroma adocicado no ar húmido de inverno, adensado pela vegetação pejada de gotas opalinas que nos envolvem numa espécie de presença ausente.
Tanta beleza parece irreal, no entanto esta atmosfera quase de metaverso deixa-nos estáticos e em silêncio, à espera de darmos de caras com Charles Ryder, de “Brideshead Revisited”. Se Evelyn Waugh tivesse aqui estado, decerto se inspiraria para uma réplica.
Se calhar até esteve e não sabemos. Certo é que Agatha Christie aqui pernoitou. E escreveu até um romance inspirada pelo misterioso Palace do Bussaco. E, mais recentemente, Fanny Ardant andou nestes bosques em filmagens.
O Bussaco foi ainda cenário dos amores de D. Manuel II com a atriz francesa Gaby Deslys, que se refugiaram aqui mesmo, a 12 de julho de 1910, durante algumas semanas.
Mas a estória verdadeira deste palácio remonta a tempos mais longínquos, ao final do século XIX. A família real começou por querer transformar o antigo convento da Ordem dos Carmelitas Descalços num palácio e pavilhão de caça, mas depois ganhou solidez a ideia de construir de raiz um hotel palaciano.
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