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Quando Vasco Mourão abriu o Terra, em 2004, a cultura gastronómica do Porto era diferente. Mais de duas décadas depois, o restaurante de cozinha do mundo, na Foz, anuncia duas novas ementas, dois novos chefs e a mesma vontade de continuar a afirmar-se como uma referência, cosmopolita e sem fronteiras.
Em 2004, os restaurantes tradicionais e as marisqueiras ditavam a oferta gastronómica portuense. Turismo, partilha, comida do mundo, chefs e menus de degustação eram conceitos pouco conhecidos no léxico local. Faltava a visão e a ousadia de quem fizesse diferente.
Foi nessa altura que, numa cidade ainda fechada dentro das suas muralhas, Vasco Mourão abriu o Terra, um restaurante de cozinha mediterrânica e japonesa. Fê-lo na Foz do Douro – à época, a zona da restauração sofisticada por excelência –, em frente ao Cafeína, do mesmo grupo, inaugurado em 1995. “O grupo foi sendo construído de uma forma muito orgânica. O Cafeína abriu da necessidade de criar um restaurante que funcionasse durante todo o ano, sobretudo no inverno”, refere Mourão. “O Terra abriu no espaço onde anteriormente funcionava o Oriental, que eu tinha criado em 2000. Veio complementar a oferta existente, apresentar uma experiência mais cosmopolita e permitir-nos chegar a um público com expectativas diferentes.”
De portas abertas para o mundo, cheio de mundo dentro de portas, “mostrou que era possível construir, no Porto, um restaurante de cozinha do mundo, sem estar preso a uma única geografia e sem perder coerência”, declara. O passo de gigante estava dado e Mourão criava uma nova forma de compreender a cidade e a sua cultura gastronómica. “O Terra veio abrir uma janela que abraçava o conforto da cozinha mediterrânica com a disrupção que era, ainda, um menu de sushi.”
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