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Benedita é discreta, quase tímida. Com uma presença que contagia uma certa tranquilidade (chamemos-lhe paz). Por isso, não estranhamos as cores neutras das peças de roupa que saem do seu traço. Nem os tecidos que escolhe. Tudo faz sentido - mesmo se só a víssemos à distância. Tudo faz sentido.
Benedita Formosinho é o seu nome e é também marca. Uma marca portuguesa começada há sete anos, quando a menina desta história era ainda uma recém-licenciada. O curso? Design de Moda, pela Faculdade de Arquitetura de Lisboa. Sempre gostou de desenhar – por isso e pelo gosto por arte sempre soube que o seu caminho passaria por algo que envolvesse esses temas. A moda foi uma descoberta progressiva. À medida que percebia que gostava de desenhar o corpo humano e também roupa, foi desenvolvendo uma natural curiosidade por tecidos, cortes e costuras.
Quando saiu da Faculdade de Arquitetura, estagiou com o designer português Ricardo Preto e diz-nos que aí adquiriu experiência nas várias vertentes: participava na organização dos desfiles da Moda Lisboa, nos editoriais, nas construções em atelier, enfim, entrava no mundo que realmente a fascinava. Depois, fez trabalhos na área dos figurinos, mas percebeu claramente que não era o que queria. Benedita afirma entre sorrisos que “sempre soube que queria ter uma marca. Só não sabia que aconteceria tão cedo”.
Quem tem uma mãe tem tudo
A criação da marca alinhou-se com a disponibilidade da mãe. Perpétua Formosinho vem da área das ciências, com um longo percurso em investigação, laboratório de análises clínicas e bancos de células estaminais — interesses que à partida parecem distantes da área criativa da filha Benedita. Mas a verdade é que, aos 50 anos, sentiu que tudo o que até então a preenchia começava a fazer parte de uma espécie de fim de ciclo. “Cruzei-me com uma filha que tinha terminado a sua formação e começava a fazer as suas primeiras habilidades neste mundo.”
O trabalho conjunto surgiu naturalmente, não foi planeado, e começou como um apoio que não só deu mais segurança à filha, como revelou um novo caminho na vida da cientista — uma cientista que nos diz sempre ter cultivado a sua parte criativa e manual.
No início, Benedita pedia à mãe pequenas coisas, como punhos tricotados ou bordados em lã, sempre na área das manualidades. Juntas desenvolveram teares para aproveitar os desperdícios dos cortes que iam sendo acumulados. Nesses teares, Perpétua passou dias a fio a criar peças únicas, depois usadas por Benedita nas suas coleções.
Até há bem pouco tempo, eram só as duas, e foram-se surpreendendo pela forma como se complementam — “o quão acrescentamos uma à outra”, diz-nos Perpétua. Interesses e gostos comuns, transversais à diferença de gerações, foram uma revelação. Mas também a tal complementaridade que se revelou a grande força desta relação. Passaram a conhecer-se como nunca antes.
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