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Craft

Na força da madeira bate forte o tambor

Os instrumentos musicais de madeira representam, desde a sua fundação, em 1943, a identidade da Oficina de Artesanato César, em Ermesinde. Para fins profissionais, recreativos ou como objetos de decoração, bombos, tambores e pandeiretas são produzidos artesanalmente por uma equipa dedicada, que cunha na madeira ritmo e tradição.

  • Texto: Teresa Castro Viana
  • Fotografia: Maria João Gala
16 de Março, 2026
César Gonçalves

“Normalmente faz-se apenas referência aos homens, mas a empresa sempre funcionou em casal. Primeiro com os meus bisavós maternos, depois com os meus avós e agora com os meus pais, comigo e com a minha esposa.”

César Gonçalves

Há algo de mágico, quase poético, no processo de criação de uma peça de artesanato. A matéria-prima em bruto, as mãos calejadas, o respeito pelos tempos e pelos métodos, a intuição. É com base nela – e na sabedoria adquirida ao longo de mais de 80 anos de atividade – que se fazem os bombos, os tambores, os adufes, as pandeiretas e alguns brinquedos no número 173 da Rua Central de Sampaio, em Ermesinde.

Foi ali, no piso térreo de uma casa familiar, que César Duarte Machado fundou, em 1943, a Oficina de Artesanato César. “Normalmente faz-se apenas referência aos homens, mas a empresa sempre funcionou em casal. Primeiro com os meus bisavós maternos, depois com os meus avós e agora com os meus pais, comigo e com a minha esposa”, esclarece César Gonçalves, 39 anos, representante da quarta geração.

“O meu bisavô já era artesão, trabalhava com um tio nesta área. Fazia bombos e brinquedos mas, a certa altura, quis criar o próprio negócio e fazer concorrência ao patrão [risos].”

Com três funcionários, além do núcleo familiar, a Oficina de Artesanato César dedica-se à produção de instrumentos musicais – os mesmos que alavancaram o negócio de César Duarte Machado. “Em 1946, o meu bisavô introduziu os brinquedos de madeira, como a pomba e o ciclista, que tiveram muita procura”, declara César.

A relação do concelho de Valongo com a produção de brinquedos tradicionais é antiga. Teve início em 1921, quando o artesão José Augusto Júnior “JAJ” começou, em Alfena, a fabricar os primeiros brinquedos em chapa (folha de flandres). Ao longo das décadas, vários artesãos e empresas dedicaram-se à criação de brinquedos artesanais em chapa, plástico, madeira e ferro.

“As pombas eram mergulhadas em tinta e marcadas com estes carimbos”, diz, apontando para uma estante com artefactos de outros tempos. “Era sempre a andar.”

À época, a Oficina de Artesanato César empregava cerca de 30 trabalhadores para fazer face ao volume de encomendas.

“Houve tempos em que se vendiam mais brinquedos do que instrumentos” mas, com o aparecimento dos brinquedos de plástico, a situação inverteu-se. Hoje em dia, e porque tudo é cíclico, a procura pelos brinquedos de madeira tem vindo, novamente, a crescer. Agora, não tanto para brincar, mas para decorar e apelar à memória. “Já vimos os nossos brinquedos em vários restaurantes e hotéis.”

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