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É em São João da Madeira, epicentro da tradição chapeleira portuguesa, que Rui Dias produz chapéus artesanais e personalizados, honrando o legado do avô paterno e a tradição local. A marca Maraus nasceu em 2023 e é, desde o início do ano, um dos negócios criativos sediados na Oliva Creative Factory.
O vapor do ferro com que molda os chapéus aquece a sala onde Rui Dias, 40 anos, põe em prática a arte da chapelaria, herdada do avô paterno, António Marau.
Faleceu cedo, quando Rui tinha apenas quatro anos, mas as memórias e as heranças permanecem intocadas. “Não aprendi diretamente com ele, mas vivi tudo isto em casa dos meus avós”, diz, apontando para as fotografias, os moldes, a régua, o conformador e o alargador do avô, que tem expostos no seu ateliê, na Oliva Creative Factory, em São João da Madeira, aberto apenas por marcação.
“A minha mesa de trabalho era a mesa de trabalho dele, foi construída por ele”.
É lá que esculpe chapéus personalizados, totalmente feitos à mão, com o cuidado e a dedicação de quem cria uma peça de arte singular.
O desejo de se dedicar a este ofício intensificou-se há uns anos quando, inspirado por uma vaga de novos projetos ligados à chapelaria a nível mundial, Rui Dias, formado em design gráfico, decidiu honrar o legado do avô e as tradições da cidade. Aprimorou as bases adquiridas ao longo da vida com um chapeleiro amigo do avô e colocou as mãos na massa. Neste caso, no feltro. Na Fepsa, fábrica local, reconhecida internacionalmente pela qualidade dos seus feltros, compra o material necessário para a execução – pelo de coelho, de lebre, de castor ou blends. “Eu trabalho com blend de coelho e de lebre, que é excecional; blend de coelho e de castor, com uma qualidade superior; e com pure beaver, ou 100% castor, a melhor matéria-prima do mercado”, explica. “O castor vive 90% submerso em água, o que torna o chapéu 100% impermeável. As fibras estão muito compactadas.”
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