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Mariana Pestana é arquiteta. Esta frase poderia encerrar tudo o que queríamos dizer sobre ela. E já seria muito porque no “ser arquiteto” está implícito um gosto por uma enorme diversidade de disciplinas. Mas não. Longe disso.
É preciso dizer mais sobre Mariana. É arquiteta e curadora. E na curadoria encontrou uma porta para, de uma forma orgânica, desenvolver ramos da sua visão de arquitetura, da sua forma de viver a arquitetura, ou melhor, da sua curiosidade sobre o mundo em que vivemos.
Voltemos ao princípio. Mariana Pestana é arquiteta pela FAUP, Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Com uma bolsa da Gulbenkian, foi para Londres estudar “Ambientes Narrativos”, na Central Saint Martins, porque a ligação entre literatura, ficção e arquitetura sempre a interessou. Nesse curso, conheceu três pessoas com quem fundou o coletivo The Decorators, também em Londres, o estúdio interdisciplinar que mantém até hoje. E é doutorada em Design Arquitetónico pela The Bartlett School of Architecture, na entretanto sua capital inglesa.
Já participou duas vezes na Bienal de Veneza. A primeira, em 2014, na representação portuguesa a convite do curador-geral Pedro Campos Costa. A partir do tema central, Fundamentals – Absorbing Modernity: 1914-2014, Portugal desenvolveu uma série de experiências em torno da Habitação que, depois, eram reportadas à Bienal através de um jornal, “Homeland, News from Portugal”.
Mariana trabalhou com a equipa LIKEArchitects, do Porto, sobre a ideia de transitoriedade e, durante algum tempo, viveu no espaço de um banco, na Avenida dos Aliados. Usou esse espaço como morada, habitando-o como experiência.
Com o The Decorators, acompanhou a representação inglesa em 2021.
Nesse ano, o tema da Bienal surgia em forma de pergunta, How will we live together?, e o trabalho de Mariana Pestana foi desenvolvido a partir da proposta de reflexão dos curadores ingleses, The Garden of Privatised Delights (conceito extrapolado de Bosch). The Decorators participaram numa investigação em torno da ideia de património inglês, com um sentido político também, já que se vivia o rescaldo do Brexit, e a partir de um pub desenvolveram pensamento sobre espaços que se reinventam.
Mas sobre a relação de Mariana Pestana com Londres há mais, muito mais. Diz-nos que a partir da participação do seu coletivo na Trienal de Arquitetura de Lisboa, em 2013, com A Realidade e Outras Ficções, foi, dois anos depois, convidada para o Victoria & Albert. Para o departamento de Design, Arquitetura e Digital de um dos mais incríveis museus do mundo.
Aí, em 2018 é curadora, juntamente com o designer Rory Hyde, da exposição “The Future Starts Here”, sobre as consequências da tecnologia para a humanidade – “olhando para as tendências, para o design do que se está a produzir, perceber como se pode antecipar consequências inadvertidas…”, explica.
Olhando para este percurso, a arquiteta diz-nos que se tornou curadora de forma “acidental”. Não procurou a curadoria de forma consciente, foi sim resultado da sua atitude, com trabalhos que congregam pessoas. E começou a receber convites para curadorias.
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