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Uma história de hotel: Casa da Calçada

Princesa do Tâmega

Na margem esquerda do Tâmega, um elegante edifício palaciano do século XVI funde-se na paisagem romântica da cidade de Amarante. Mesmo antes de atravessar o portão da Casa da Calçada, o seu requinte envolve quem chega, como se chegasse a casa. Dentro de portas, harmoniosamente, o passado funde-se com o futuro.

  • Texto: Teresa Castro Viana
  • Fotografia: Maria João Gala
06 de Outubro, 2025

 

 

 

A icónica Casa da Calçada faz parte da história de Amarante, cidade encantadora debruçada sobre as águas do Tâmega, que se ilumina pela emblemática fachada amarela desta casa do século XVI, de estilo barroco.

Construída para ser um dos principais palácios do Conde de Redondo, cuja família recebeu, por doação, no final do século XV, o Concelho de Gouveia de Riba Tâmega, foi sede dos comandos aliados durante a segunda invasão francesa, desempenhando um papel fundamental na defesa de Amarante e garantindo o acesso estratégico das tropas portuguesas à Invicta. Até ao terceiro dia de disputa, quando foi incendiada pelas tropas napoleónicas.

Mas o fogo não ditou o fim da sua história e das cinzas a Calçada voltou a renascer: adquirido posteriormente pela família Pereira do Lago, que investiu na sua reconstrução, o edifício tornou-se ponto de encontro de políticos e artistas, do pintor Amadeo de Souza-Cardoso ao filósofo Teixeira de Pascoaes, ambos amarantinos, principalmente durante a Primeira República. “Nela se conspirou o início e a restauração da República e se venerou o vinho. Um verdadeiro mundo à parte, onde sempre se respirou liberdade, modernidade e progresso”, lê-se na página oficial da unidade hoteleira.

Na Calçada nasceu António do Lago Cerqueira (1880-1945), um dos mais importantes líderes políticos da Primeira República e presidente da Câmara Municipal de Amarante durante vários anos. Motivos políticos levaram-no a exilar-se em Paris, onde frequentou o curso de viticultura e vinificação do Institut National Agronomique e adquiriu conhecimentos para iniciar a produção dos vinhos e aguardentes das Caves da Calçada, tendo contribuído em larga escala para a viticultura da cidade e da região. Estando em plena área geográfica de Entre-Douro-e-Minho, estas Caves sempre tiveram na região dos Vinhos Verdes (demarcada em 1908) a sua “primeira e mais duradoura relação vinícola”, como se pode ler na comunicação do hotel.

Depois, é Manuel António da Mota, fundador da Mota & Companhia – hoje Mota-Engil -, a maior empresa de construção do país, o responsável pela preservação deste legado. Nos anos 60 do século passado, adquire o palácio com que sempre havia sonhado, fronteiriço à sua casa, a do Pinheiro Manso, e depara-se com “grutas, passagens secretas, azulejos de época, paredes marcadas pelas balas da invasão francesa, ancestrais e ainda soberbas madeiras de carvalho e castanho, lareiras espalhadas por todo o lado, colunas de pedra e esculturas”. Repensa o potencial deste património, decide recuperar a Casa da Calçada e transforma-a na residência oficial da família.

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