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Wine

Blaufränkisch, a nova vaga da Áustria

No mundo globalizado de hoje, onde os clientes de restaurantes gourmet, de São Francisco a Sydney, são presenteados com pesadas cartas de vinhos à mesa, o espaço destinado à Áustria ainda é dominado pelas castas brancas, especialmente a variedade mais conhecida do país, a Grüner Veltliner. No entanto, na terra que se tornou famosa por Mozart e pela valsa, o burburinho nas adegas está atualmente centrado numa variedade tinta local - Blaufränkisch - que passa por um renascimento à medida que enólogos talentosos trabalha para maximizar as qualidades da casta, principalmente o lado frutado e refrescante.

  • Texto: Ivan Carvalho
  • Fotografia: Luigi Fiano
15 de Outubro, 2025

Para entender melhor a recente mudança de atitude, é preciso deixar para trás os impressionantes palácios dos Habsburgos e os restaurantes de luxo de Viena e seguir para leste, em direção à fronteira com a Eslováquia. Ali, perto do Danúbio e não muito longe do assentamento romano de Carnuntum, fica o Spitzerberg, uma encosta alongada de apenas 300 metros de altitude onde se encontram as vinhas da produtora austríaca Dorli Muhr.

Radicada em Viena, onde dirige há mais de 30 anos uma bem-sucedida agência de comunicação que promove vinhos e produtos da área da alimentação na Áustria, Muhr herdou da avó um pequeno terreno no lado sul de Spitzerberg e decidiu, em 2002, que seria ali que deixaria marca – desta vez, produzindo o próprio vinho em vez de ajudar os outros a vender os deles. “A minha família tem raízes na agricultura, beterraba-sacarina e cereais, e cresci numa aldeia próxima que era completamente plana. Para mim, quando criança, ir ao Spitzerberg era como visitar uma montanha a sério. Só mais tarde percebi que tínhamos montanhas maiores na Áustria”, brinca Muhr, enquanto nos conduz por uma estrada de terra entre as vinhas.

A vida selvagem é abundante – coelhos saltam por entre os bardos de vinhas e vimos várias vezes veados, perdizes e faisões. Ao parar o carro, Muhr abre um mapa para apontar as parcelas de Blaufränkisch – a produtora possui 12 hectares na encosta, que se dividem em meia dúzia de parcelas.

Algumas gerações atrás, o Spitzerberg foi organizado em três níveis de terreno e, graças à erosão ao longo dos séculos, as condições dos solos mudaram.

Na extremidade inferior de cada nível, foi-se acumulando mais solo o que, consequentemente, conduz a que possa reter mais água. Aqui, o crescimento prossegue a um ritmo acelerado. As zonas superiores, por sua vez, são mais áridas, secas e exigentes. Os vinhos dessas parcelas oferecem maior complexidade, com cargas aromáticas mais intensas e exigem mais tempo de amadurecimento para atingir o equilíbrio.

O que imediatamente notamos quando caminhamos por esse trecho estreito da encosta é o vento. Sopra durante 300 dias por ano. Nas proximidades, um conjunto de moinhos de vento muito altos está ocupado a trabalhar para aproveitar a força da natureza para obter energia. “Isso é essencial para o nosso terroir”, explica Muhr. “Temos condições secas aqui, não chove muito e, quando temos dias húmidos, o vento seca as videiras rapidamente”.

O resultado final para Muhr, que pratica uma viticultura orgânica, são vinhos muito densos, muito intensos, mas que são bastante equilibrados no que diz respeito ao nível de álcool. “Para mim, o Blaufränkisch tem muita frescura e elegância, bem como uma leveza que se espera de um vinho branco. Portanto, temos todos aqueles aromas de frutas vermelhas e taninos agradáveis, mas o final é refrescante”.

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