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Luís Faro Ramos está de partida. Cinco anos depois de chegar a Brasília, cumpre o tempo de missão e segue para outros destinos — como acontece com os diplomatas que aprendem a fazer da impermanência uma forma de habitar o mundo. Antes de fechar as malas, porém, abriu a residência oficial à blue Travel. Abriu as portas e, sem perceber, escancarou também a memória. Falou da casa, de viagens, de encontros. E falou, sobretudo, de um Brasil vivido por dentro.
A residência oficial de Portugal em Brasília não é apenas uma casa. É um território. Um pedaço formal de Portugal incrustado na Asa Sul, numa rua silenciosa, cercada por outras embaixadas, jardins e diplomacias. O imóvel pertence ao Estado português desde 1974 e foi habitado, pela primeira vez, pelo embaixador Vasco Fichar Pereira. Desde então, atravessou décadas, alterações, governos e estilos — até chegar ao tempo presente.
Ao longo dos anos, a casa foi sendo afinada. Ganhou novos espaços de lazer, um jardim redesenhado, áreas sociais mais generosas. “É uma residência muito simpática, com dimensão humana”, diz Luis Ramos. “É um lugar onde a pessoa se sente bem.” Nas paredes, obras de artistas portugueses dos anos 1960 e 1970 dialogam com a arquitetura. Nada é ostensivo. Tudo parece pensado para receber.
“Creio que esta casa está à altura da dimensão que Portugal representa hoje no Brasil”, completa.
Uma das mudanças mais simbólicas foi a ampliação da sala de jantar — espaço que, para um diplomata, é quase uma extensão do gabinete. Foi ali que, em abril de 2024, durante as comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos, o presidente Lula jantou em território português. Não em Lisboa, como previa o protocolo, mas em Brasília. “Disse-me que não poderia ir a Portugal, mas que iria a território português no dia 25 de abril”, recorda o embaixador.
Naquela noite, entre ministros e brindes, celebrou-se a história comum. À mesa, bacalhau. No copo, vinho português, Vinho do Porto — e aguardente Adega Velha.
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