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Em casa com

Nilza e António Montenegro Fiúza

Capim-Limão Country House

O azul-pastel que abraça o granito na fachada é logo um convite à descoberta. A casa Capim-Limão Country House quase sobrevoa a beleza edénica do Vale do Lima, condensando uma releitura ambivalente do espaço como refúgio e lugar aberto ao mundo.

  • Texto: Fátima Iken
  • Fotografia: Maria João Gala
23 de Dezembro, 2025

Não sei se já provaram um chá de capim-limão (também conhecido por citronela ou erva-príncipe), mas o efeito é calmante e refrescante, em simultâneo. Exala um perfume exótico e apaziguador que se torna viciante. Uma sensação parecida com o que nesta casa a linguagem da arquitetura evoca.

A semântica poética do chá, da água, da pedra e da terra povoam o nosso imaginário, mesmo antes de entrarmos na Casa do Capim-Limão Country House, a dois passos de Ponte de Lima, Paredes de Coura e da icónica Casa Grande de Romarigães, de Aquilino Ribeiro.

Sobranceira às encostas que confluem sobre o corropio das águas do rio Labruja, estabelece um traço de união entre o estado líquido e o efeito telúrico da pedra granítica, onde espaços abertos e grandes vidraças nos imergem num banho de luz, sempre com apontamentos de um azul metileno.

A casa é abrigo mas viagem, ponto de encontro e evasão. Recebem-nos os sorrisos contagiantes de Nilza e António Montenegro Fiúza, cujas raízes o trouxeram de volta, escolhendo a paz do lugar dos ascendentes para estar perto da família.

A ideia de recuperar esta antiga residência de padres, datada de 1747 e com uma traça genuinamente minhota, conciliou-se com o prazer de receber, pelo que, para além de residência, corporiza um boutique-hotel que vale a pena conhecer.

 

“Gosto de espaços intimistas e com exclusividade, casas de campo com história. Este edifício estava em ruínas há muito tempo e juntamos o útil ao agradável. Fizemos a casa dos nossos sonhos, estamos próximos da família e recebemos pessoas porque gostamos muito de conviver. O lugar ganha ainda mais valor por saber que o meu avô trabalhou aqui”

– enfatiza António que já viveu em quatro continentes, no âmbito do seu trabalho como CEO da Ensino Lusófona no Brasil e ainda presidente da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro.

Apesar das linhas de contemporaneidade que povoam o interior, a fachada e todo o exterior deixam respirar a traça tradicionalmente rural, numa combinação de xisto, vidro e granito. O passado está presente mas não congelado, ganhando novos formatos orgânicos que respiram na releitura do espaço.

A surpresa torna-se maior quando, ao entrarmos, pelo pátio do antigo logradouro, repousamos numa imensa sala com um pé direito imponente e onde a amplitude do branco conflui num jogo geométrico de arestas que abrem o olhar às transparências e, de novo, o azul-pastel que pontua ripados, portas e janelas.

Como se a memória se diluísse em pequenos apontamentos que não deixam esquecer uma pré-existência, como é o caso da reconstrução de um palheiro desaparecido ou das referências às namoradeiras.

O antigo terreiro transforma-se, assim, na principal área social, onde também a sala de jantar se anicha numa das paredes laterais, fluindo por escadas de ligação até um segundo piso onde se encontram os sete quartos.

O redesenho abre um imenso plano vertical rematado pela luminosidade de uma clarabóia, como se estivéssemos numa casa aberta, onde se consegue ainda descortinar de certos ângulos a natureza exterior.

Este simbolismo traduz exatamente aquilo que os proprietários querem com o projeto do alojamento. Fazer da Casa Capim-Limão um espaço aberto ao mundo, apesar de aí viverem.

Mesmo no interior, sentados em sofás claros debruados por almofadas que evocam o mesmo azul, sentimos que estamos num imenso pátio, sublinhado pelo tapete de mosaico hidráulico da Azulima, criado propositadamente para o espaço, o mármore de Estremoz e a madeira de castanho da região.

O restauro, assinado pelo arquiteto Tiago do Vale, conseguiu de forma impoluta unir estes dois mundos: a esquadria que deixa respirar a modernidade e o futuro, mas dando sempre a mão à história passada.

O núcleo nevrálgico e coração da casa acaba por ser esta área social de encontro, enquanto que a privacidade surge no segundo piso, onde descansam os quartos num imenso corredor em que a madeira e o branco harmonizam.

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